segunda-feira, 18 de julho de 2016
Amor à camisa.
O grande Gilmar, goleiro da seleção de 58, que assistira a todos os jogos do Dínamo, na véspera do jogo final, foi contundente:
_Victorino, seu time vai se sagrar campeão porque seus meninos não são feito os outros... macaquinhos amestrado, eles tem alma.
Tenho visto esse time crescer na competição, o puro pânico deve tomar conta da alma de um goleiro, quando tem pela frente a sua dupla de ataque. Cara, eles são gelados.
E não deu outra, cada um deles marcou um gol, os dois foram frios, pegaram a bola, receberam os abraços dos amigos e a levaram pro meio, como se dissessem:
_Ainda não acabou.
Terminado o jogo, correram com o troféu.
Na volta, ensaiei um discurso no ônibus, ao ver que os dois já tinham lágrimas nos olhos, recolhi o discurso e bati no peito:
_Eu tenho muito orgulho de todos vocês.
Quando cheguei à Chácara Bela Vista, eles já eram amigos, amigos que se divertiam em ser adversários, discutiam e não se largavam.
E virou uma rivalidade sadia, não para determinar qual deles era o craque, o craque era o Kiko e, isso ninguém questionava, brigavam pra ver quem fazia mais gols e, se houvesse empate, brigavam pra ver quem fazia o gol mais bonito.
Era-lhes pesaroso ter que deixar de fazer um gol e passar a bola pro outro, quando isso acontecia, um falava pro outro.
_Só fez aquele gol porque eu deixei, metade do gol é meu.
E, tome discussão... o Erasmo vinha apaziguar os ânimos.
De uma hora pra outra, o Dínamo virou uma máquina de golear, por esses tempos, quatro x zero era considerado empate.
Em São Matheus, naquele mesmo dia em que o Nego Teco desceu o barranco ralando a bunda, coloquei 5 Reais na disputa, a quem fosse o artilheiro do dia.
Lógico que cinco contos não são muita coisa, mas naquela época, valia muito mais que vale agora.
Se a dupla já vivia numa inconstante rivalidade, naquela tarde virou declarada.
Cada qual marcou um gol, por mérito, o Kiko seria considerado o artilheiro do dia, fez dois gols lindos e nem estava na disputa.
Quando ia marcar o terceiro gol, antes que a bola ultrapassasse a linha, o Robinho meteu o pé e saiu comemorando descaradamente.
Num lance de pura magia, o Kiko invade a área e quebra toda defesa, leva o goleiro para o fundo e dá um toque genial de lado, a bola vai mansinha pro gol, o Rodriguinho, que antecipava o lance, acompanhou o craque feito um zagueiro, antes que ela encontre o endereço, no limite da linha, toca e sai comemorando, dizendo que a disputa estava empatada.
O pobre do adversário, além de ser submetido ao vexame da goleada, tem que assistir a isso tudo.
Com poucos minutos pra encerrar o jogo, acontece uma falta na intermediária, perfeita pra batida do Victor.
O batedor oficial ajeita a bola com carinho, o juiz conta o espaço regular da barreira.
A dupla sabia da competência do camisa 10 nesse tipo de tiro livre, mas estranhamente não se colocam ao lado da barreia, como é costume dos atacantes, longe da linha de impedimento, se posicionam um ao lado do outro, como se perfilassem pra uma corrida de fundos.
O chute do Luther Victor era conhecido de todos, passava por cima da barreira e descrevia um arco, caindo suave, geralmente tinha o mesmo endereço, o travessão.
Assim que a bola saiu da marca, iniciaram a corrida, quando o estrondo da trave de ferro se fez, já estava a dupla embaixo e, juntos, meteram o pé na bola.
Com o dinheiro compraram refrigerantes pro time.
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