sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Um título suado e merecido


Empolgadas com a final, começaram a aparecer na rua às 10:00 horas da manhã, ainda que a partida estivesse programada para as 15:00 Hrs, como era o costume dos guris, vinham de todas as partes, da Cohab, da Tintas Vandas, do São Jorge e do João XXIII, todas empolgadas, mesmo as jogadoras do segundo quadro, que tinha sido eliminado, estavam ali, naquele domingo de calor escaldante.O Zé Luis, primeiro e mais fanático torcedor veio dizer que não estava bem pra ir até o Taboão da Serra, ver a consagração das "maçãzinhas".
Eu me preocupava com a falta de folego, devido ao enorme esforço da véspera, sabia que tudo aconteceria do mesmo jeito, porque é igual, em qualquer lugar...tomaríamos canseira, seríamos hostilizados, tudo igual, essas coisinhas que se faz sempre, pra acabar com a resistência do visitante.Ainda que a Adriana Dourado, tivesse se alterado emocionalmente, sabia que ela tinha muita lenha pra queimar, minha preocupação era com as mais jovens, ainda que nosso time tivesse uma pegada forte, algumas jogadoras eram muito jovens, a Alessandra Zaffani(por exemplo) tinha 13 anos.Metade delas ficaram na minha casa e a outra metade, na casa da Arlete, que era vizinha minha.
Nessas ocasiões não cabe falar muito em táticas, é sabido que uma disputa de título depende de vários fatores, a sorte é uma delas, mas, 2 times mereceram estar na final o melhor levaria o título, havia uma apreensão no ar, as mais veteranas, como a Angela Camargo Victorino, estavam nervosas, fora o fato de, na fase classificatória, termos perdido por 3x1, num jogo muito nervoso, onde a Arlete e a Adriana foram caçadas em quadra, tudo isso, com a conivência da arbitragem.Se tem alguma coisa que, é diferente no futebol feminino é a capacidade que a mulher tem de, nunca estar totalmente senhora de si, se por um lado a mulher é muito mais disposta a aprender e se superar, ela nunca está calma, por mais experiente que ela possa parecer, é por esse fato, que nenhum time feminino conseguiu uma supremacia duradoura...quando uma mulher acorda de ovo virado, esquece tudo.A minha preocupação era essa, o que me confortava era, o fato de a outra equipe ser constituída de mulheres.
Mais ou menos às 13:00 hs saímos da "Osvaldão" rumo ao Taboão, com meu guri Hugo no colo, que isso dava sorte, até chegar ao destino, ele seria revesado, no colo de todo mundo, em todos os jogos, meus filhos nos acompanhavam, assim é que eu e a Angela os educávamos, como aStéphanie Victorino era atleta ia andando, daqui a pouco eu teria que levar o Victor Luther Zeus no ombro, ele tinha uns 8 anos.Na passagem pelo buteco da dona Maria baixinha, o Josué ofereceu um copo de cerveja, disse que não podia naquela hora:
_Vou ali, buscar um troféu e já volto.
A dona Maria e o Josué sorriram e nos acenaram, sabiam que não era arrogância da minha parte, assim como todos os vizinhos que, viam sempre as nossas partidas pros jogos, na maioria das vezes, voltávamos tarde da noite, com troféus.
Para chegar ao nosso destino, com ônibus, teríamos que usar 2 ônibus, um deles intermunicipal e, ainda teríamos que andar um bocado, fomos do jeito mais barato, na sola, sentido Cohab Educandário, ali, pegamos a Alê, a Gisele, a Marisa, a Rose e as Patrícias, seguimos para a Serra Pelada, o grupo já estava completo, no alto da Serra paramos na casa da Zaninha, para beber água, encontrei o Cesar(irmão dela) meu amigo de infância, e depois de chamar pra brêja gelada, desejou-nos boa sorte, descemos, sentido Pirajussara, o sol forte, agora era amenizado pelos ventos da região e, enquanto caminhávamos, conversávamos e sorríamos, numa alegria apreensiva, sempre gostei de observar o ser humano, diante da pressão e, cada qual reage do seu jeito:enquanto a Alê cantava musicas da Xuxa, a sempre alegre Mazé recolhia-se num silencio de pedra, enquanto a Adriana roía as unhas a Taninha ria de tudo, um time é feito de pessoas diferentes com um objetivo comum.Cabe ao técnico juntá-los, sem tirar a sua individualidade, pra fazer a magia acontecer e ...sempre acontece.Chegamos, duas horas e meia depois na quadra e, estava rolando a final do masculino, jogão (briga de cachorro grande) acomodamo-nos e esperamos, o sol queimava ainda e não tinha uma sombra e, tome canseira, o time da casa apareceu, parecia inteiro, com cara de quem acabou de sair de casa, depois do banho, reparei que só havia uma menina calma, a Alessandra, que até tinha feito amizade com os meninos de lá...muito simpática.Time escalado: Angela, Alessandra, Taninha, Mazé, Arlete, Mirna e Adriana, instruções dadas e vamos ao jogo:
Um primeiro tempo sem sustos e, apesar da intenção das Abelhas ser uma marcação serrada na Adriana, tiveram que mudar de ideia, pois a mesma foi posta na defesa, com a Adriana presa ficou mais fácil pra Arlete aparecer e, ela não se fez de rogada, marcou 2 gols, lá da defesa, recebendo a bola da goleira, a pequena Adriana saiu, duas vezes em diagonal e marcou mais 2 gols, tudo parecia muito fácil, no finzinho do primeiro tempo, a Mazé, que fazia a função de pivô, recuou a bola pra Taninha bater, essa furou feio, no contra-ataque, elas marcaram o gol.Final do primeiro tempo Abelhas 1 x 4 Dínamo, tranquilo e, ainda que fosse por fatalidade, a Mazé e a Taninha ainda batiam boca, tirei a Taninha e a substitui pela Mirna, ela parece aliviada com isso, já demonstrava sinais de cansaço.Falei que o placar não era garantia, em futsal, nenhum placar é elástico o suficiente para se acomodar.
Segundo tempo, a Mazé marcou mais um gol e, por incrível que possa parecer, nosso time morreu em quadra, de uma hora pra outra, o folego acabou...em plena quadra, travamos...toda o esforço da véspera veio à tona.Sem poder reagir, vimos as adversárias empatar e virar o jogo: 6 x 4 em pouco tempo, a sorte, que sempre fora nossa aliada, parecia ter nos abandonado, pedi tempo, substitui, não adiantou, coloquei a Alessandra e melhorei a defesa, faltavam 5 minutos de jogo, nosso time não criava, perdíamos por 2 gols...só um milagre.
E, de onde menos se esperava, veio o milagre.
Uma jogada muito bem ensaiada das Abelhas, nos envolveu completamente, bola rolada no canto, alcança a pivô no fundo da quadra, essa de costa pra goleira, para a bola e toca de leve no meio, a fixa vem correndo e bate colocada, no canto, o gol estava desenhado, no ultimo segundo a goleira Angela se estica e, com as pontas dos dedos, tira-a da direção do gol, o corpo dela ainda deslizou uns metros no chão, antes que ela se levantasse, bateu as mãos no calção e voltou pra debaixo das traves.Escanteio, bola levantada na área, com a mão ela intersepta a trajetória da bola, o rebote sobra pra atacante, na marca do penalte, essa bate, à queima roupa, nossa goleira defende com uma das mãos, a bola cai no meio da quadra, a jogadora da defesa bate de lá, a bola vai para o angulo, num salto espetacular ela se projeta no ar e, de mão trocada faz a defesa.De repente não havia mais cansaço, a torcida da casa, gritava ANGELA, como se tivesse renascido, a Arlete pega o rebote, vence a zaga e espera a goleira deitar, toca no canto e vai buscar a bola na rede, coloca-a no meio da quadra pra reiniciar o jogo, a Adriana rouba a saída, sem aviso, bate de lá mesmo, a goleira nem viu a bola.Jogo empatado, segundo pra o final, dois times em frangalhos, lá fora eu gritei que não queria disputar penaltes.Adriana de posse da bola, ninguem atacou, ela levou a bola em direção do nosso gol, com o domínio da perna direita, ao chegar na área, desenhou uma curva e saiu em disparada pro meio, livrou-se de duas, parou, ameaçou de voltar, a marcadora a acompanhou, ela virou-se e foi pra direita, a goleira acompanhou, muito rápido, ela fintou as 3 e bateu no gol.Na nossa comemoração o arbitro encerrou o jogo.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

O Niltão sempre foi esquisito mesmo