Quem disser que a Adriana Dourado jogava feito homem, além de preconceituoso, estaria faltando com a verdade.
A verdade é que, a Adriana jogava feito um pivete, desses que você vê num campinho de barro, ao lado da bola e, diz:
_Nasceram um para o outro.
Então a palavra 'craque" deixa a desejar, quando se trata desse monstro, que media uns metro e sessenta, se muito e, hipnotizava a torcida, torcida que era grande, pelo fato de ela usar a camisa do Dínamo.
No clube do Guapira, os pulsos da goleira do time da casa, foram deslocados, ela havia ousado pegar um chute da nossa craque, nesse mesmo dia, fotografaram um chute dela, a bola não aparece na foto, só o vulto.
Quando apareceu no Dínamo, já despontava em campinhos de barro ao lado dos pivetes, dotada de uma rara inteligencia atlética, aprendeu o que faltava...partir em diagonal e jogar na linha de fundo, o resto já nasceu com ela.
As vezes, quando as pessoas não conheciam o nome do time, dizia assim:
_Aquele time azul, que tem aquela camisa 10, que joga muito.
_Ah sei...o Dínamo.
Vendo essas jogadoras de hoje, mesmo as da seleção, ainda não conheci alguém que fizesse frente à Zica.
No metrô Penha, um dos auxiliares da técnico Dhema, que na época era o técnico da seleção, treinava um time feminino, me apresentei e disse que tinha uma menina que era o Pelé, entre as mulheres, alguns diriam que eu havia exagerado, o Turquinho me disse:
_Traga a menina no sábado, vou reservá-la a camisa 9, vou registrá-la no campeonato e, se ela for mesmo tudo isso, não vai afinar.
O campeonato já se encaminhava para as semi-finais, ela entrou em campo e não afinou, dois dias depois foi convidada à se apresentar no parque São Jorge, onde o Dhema treinava o Corinthians feminino, no meio do treino, trocou de colete com a Roseli, a maior craque do Brasil.
Não vou cair na besteira de dizer que a Zica foi, entre todos os craques do Dínamo, a maior.
Mas, juntando todos os gols deles, ela fez mais que o dobro.

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