segunda-feira, 18 de julho de 2016

Das coisas engraçadas


Havia dias que dava orgulho integrar a família que era o Dínamo, cada vitória inacreditável que ficaram pra sempre na memória, mas também havia dias em que eu punha as mãos na cabeça e dizia:
_Meu Deus, eu joguei pedra na cruz.
Esse, era chamado de Português, não sei se pelo fato de ele ter nascido em terras lusitanas, ou por ser descendente de galegos, ou pelo fato de ele ser desbotado, não deu tempo hábil pra saber.
O que se sabe é que ele morava na COHAB Educandário e veio indicado pelo Ed e o Jurandir e, sendo assim, pegou a camisa 9 da seleção.
Não, na verdade, eu não gostava do Messias e, qualquer um que chegasse, pegava a 9 e o encardido do Messias ficava na reserva.
O campo da COHAB Raposo era comandado pelo Tio Zé, que não gostava do Dínamo, mas gostava de dinheiro e, de vez em quando, nos convidava para disputas de festivais.
Todo jogo que era marcado pras 11:00 horas, por exemplo, começava às 14:00 horas e todos os árbitros de lá, achavam que roubar do Dínamo era religião.
Depois da demora costumeira, começa a partida.
Alguns toques na bola e o Português mostrou que era um jogador diferenciado, muito habilidoso mesmo, aos cinco minutos destrói a zaga e faz um lindo gol, enquanto o Messias se lamenta, os meninos do infantil já ensaiam um coro de saudação pro craque e tudo ia muito bem.
Na metade do primeiro tempo, a bola sai em lateral, na lateral desse campo havia um mato alto e várias arvores, o centro avante sai em disparada, atrás da bola e some no mato.
Ora, alguém já ouviu dizer que um atacante corre pro mato pra caçar a bola?
Um lateral é aceitável, um goleiro, vá lá... um atacante???Jamais.
Sumiu no mato, jogou a bola e ficou por lá.
Alguém disse que era habito do Português, dar uns tapinhas na canábis, então se pensou que ele fosse sair de lá bem louco, melhor pra nós, pensei eu.
O tempo se passava e ele no mato, um a menos no nosso time e nada do Português.
15 minutos já haviam passado e ele sai do mato com cara de quem tirou um peso da consciência, mas não foi pra lateral, chamar o juiz pra voltar pro jogo, ao invés disso, foi em minha direção, chamou-me de lado e perguntou:
_Niltão, será que é fácil arranjar um papel higiênico por aqui?
Ah, vá-te catar nojento.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

O Niltão sempre foi esquisito mesmo