segunda-feira, 18 de julho de 2016

Os rivais


É certo que todas as agremiações tem seus rivais, em campo voce defende a sua rua, o seu bairro, as suas cores.O rival defende as coisas dele, não tem como, não fazer cara feia, pra pessoa que se poe no outro lado da linha.O Dínamo sempre teve os seus, é claro, se for citar todos aqui, vai ficar enfadonho o relato.
Havia, no Arpoador um time que nasceu na mesma época, que começamos a jogar no campo do Uirapuru(Joáo XXIII) era o Atlético, usava as cores vermelha e branca na camisa, era composta de meninos de classe média, dos prédios que ficavam no caminho, entre o BNH e a favela do Uirapurú, onde se localizava o campo do Estrela, dos rivais, era o que menos incomodava.
Em jogos do Dínamo e Atlético, ainda que fosse amistoso, sempre tinha público, pois eles sempre convidavam o Mike pra jogar, esse era craque e morava na Cohab Educandário, e do nosso lado tinha o Alemão, nosso craque Jose Roberto Sales Roberto, por isso o jogo era sempre empolgante.
O público vinha ver o espetáculo, O preto da Cohab contra o Alemão da favela, entre eles nunca houve desavenças, eles se respeitavam muito, até eram amigos, mas representando lados opostos, disputavam entre si, e só quem via o espetáculo ganhava, pra cada jogada de efeito que o Mike fazia, o Alemão fazia uma melhor e vice-versa.
Mas sempre prevalecia o nosso craque e, por consequência disso sempre ganhávamos as partidas, é por que alem do craque, nosso time era completo, tinha o Ademar da Silva, o Lucas Sócrates, o Dener Alexandre Camargo Dos Santos, o Edson Costa, Aléx, Paulo Silva e outros, que davam segurança pra jogadas do nosso craque.
E tinha uma coisa que o Mike não tinha, o Alemão era comandante e amigo de seus companheiros.Se por um lado, o craque deles se destacava do grupo, do nosso, o craque era parte da equipe e, então, o Atlético era fregues de carteirinha.
Mas não levávamos essa freguesia tão à sério assim, e os jogos passaram a perder a importância, eles vinham, tomavam o couro e iam, tudo normal.
E, numa manhã de domingo, de novo, foi marcado um amistoso contra eles, só que dessa vez, eu não podia levar pra campo a força total, na quarta seria feriado e haveria um torneio-relampago, não queria forçar e desfalcar o meu time pra partida.
Pra quem não conhece um torneio, é assim:8 times entram em campo e se enfrentam, quem perde sai, até sobrar 2, o vencedor leva a tomba, às vezes, isso dura o dia todo.
No começo da partida, percebi que o Alemão e o Adhemar não queriam um jogo morno, tirei os dois, o Aléx quis buscar a vitoria, tirei ele tambem, ficaram os 3 no banco, me aborrecendo, mas o jogo ficou do meu gosto, sem sustos.
No finzinho do segundo tempo eles fizeram um gol, meu time quis esboçar uma reação, disse-lhes que se acalmassem, qual era o problema dos caras ganharem umazinha só???
Tudo bem, perdemos um amistoso, expliquei pros meninos a importância de se preparar para uma partida mais importante, vão-se os anéis, mais sobram os dedos.
E, estava resolvida a crise, fomos embora.
Quando passamos pelos prédios, escutamos gritos de festa, fomos olhar o alarido.
E não é que, entre o churrasco e refrigerantes, eles comemoravam ?
Comemoravam, por ter batido o BICHO-PAPÃO.

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O Niltão sempre foi esquisito mesmo